Os hackers podem destruir a infraestrutura da América?

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Bruce Willis está de volta como John McClane em Live Free or Die Hard, mas desta vez o que está em jogo não é apenas explodir edifícios. A trama gira em torno de um sindicato sombrio que trava uma guerra digital contra os Estados Unidos. Eles não estão usando bombas. Estão a usar ataques na Internet para paralisar a infra-estrutura do país. McClane tem que detê-los e resgatar sua filha, que foi feita refém no caos.

Parece um drama de Hollywood. Mas ler essa sinopse levanta uma questão incômoda. É realmente possível que um grupo de hackers cause uma verdadeira devastação económica ou física nos EUA?

A resposta parece inclinar-se para o “sim”. A segurança cibernética não é mais apenas uma preocupação de nicho de TI. É agora classificado por funcionários do governo e pelos meios de comunicação social como uma ameaça equivalente ao terrorismo, à proliferação nuclear e às alterações climáticas. A lógica é simples. Os sistemas comerciais, privados e governamentais estão todos conectados à mesma rede global. Uma ruptura em um lugar pode repercutir em todos os lugares.

O cenário de ameaças mudou drasticamente. Os hackers não são mais lobos solitários em porões. Eles são organizados. Eles operam em redes frouxas que lembram mercados negros. Dados roubados são uma mercadoria. “Carders” vendem informações de cartão de crédito em massa. Os golpes de phishing estão se tornando mais sofisticados. Malware – vírus, cavalos de Tróia, worms – gera mais receita para os criminosos do que toda a indústria global de segurança de computadores gera para os defensores.

Esses atores estão por toda parte. Muitos operam em países com internet de alta velocidade e aplicação da lei negligente. A Roménia, por exemplo, tornou-se um centro para estas atividades. A falta de consequências legais estritas torna-o um porto seguro para o crime digital.

A ameaça não é apenas financeira. É geopolítico. O governo britânico divulgou recentemente provas que mostram que agências de inteligência estrangeiras – provavelmente da China, da Coreia do Norte e de antigos estados soviéticos – estavam a invadir computadores do Reino Unido. O motivo? Espionagem econômica. Não se trata apenas de roubar números de cartão de crédito. Trata-se de minar o poder económico de outras nações. Os invasores roubam segredos do setor e dados comerciais e, em seguida, canalizam essas informações para empresas amigas ou estatais para obter vantagem competitiva.

Visar funcionários-chave é uma tática comum. Um único e-mail ou unidade USB infectado pode dar aos invasores acesso a segredos governamentais confidenciais ou projetos corporativos. Os métodos são variados. E-mails carregados de vírus, CD-ROMs infectados ou cartões de memória são vetores de entrada.

Os governos estão a acordar para a realidade. A União Europeia, o G8 e outros organismos internacionais criaram grupos de trabalho contra o cibercrime. Nos EUA, as agências locais de aplicação da lei estão a criar unidades de crime electrónico. O FBI apoia estes esforços através do programa InfraGard, que facilita a partilha de informações entre a agência e estas equipas locais.

A Grã-Bretanha vê o perigo. Mas os Estados Unidos deveriam estar preocupados? A resposta pode estar numa pequena nação báltica que enfrentou recentemente um ataque digital.

Ataques cibernéticos na Estônia

A faísca era uma estátua. Em 27 de abril de 2007, as autoridades estonianas transferiram um memorial da Segunda Guerra Mundial da era soviética de uma praça central em Tallinn para um cemitério militar. Foi uma decisão enraizada na história, mas carregada de tensão atual. A Estónia foi ocupada pela União Soviética durante a maior parte da Guerra Fria e uma minoria significativa de língua russa vive lá hoje. A mudança não mudou apenas um monumento; isso mudou os ânimos.

Os protestos explodiram. Na Estónia, a raiva transbordou. Do outro lado do Mar Báltico, o governo russo emitiu protestos violentos e ameaças veladas. A atmosfera estava repleta de atritos geopolíticos. Depois veio o silêncio do mundo offline, quebrado pelo zumbido dos servidores e pela enxurrada de pacotes maliciosos.

Como funcionam os ataques distribuídos de negação de serviço

O que se seguiu foram semanas de ataques cibernéticos implacáveis. Eles tinham como alvo portais governamentais e sites privados. O método era rudimentar, mas eficaz: ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS).

Os hackers não precisavam de explorações sofisticadas para invadir. Eles só precisavam de volume. Eles sequestraram centenas, às vezes milhares, de computadores “zumbis” – máquinas infectadas com malware e controladas remotamente sem o conhecimento dos proprietários. Essas botnets bombardearam sites da Estônia com milhares de solicitações por segundo.

O tráfego normal de um site pode ter algumas centenas de acessos. Esses ataques elevaram esse número para milhões. Os servidores não aguentaram. Eles diminuíram a velocidade. Então eles caíram. O objetivo não era roubar dados. Era para tornar o site invisível.

Para o usuário médio, a experiência foi simples: tempo limite de conexão. Erro 503. Página não encontrada. Mas para o governo estónio foi um caos.

Isto foi uma guerra cibernética?

O governo estónio comparou os ataques cibernéticos a um ataque terrorista. A perturbação foi real. As funções econômicas e governamentais estavam tensas. No início, muitos observadores presumiram que o Estado russo estava a puxar os cordelinhos. Os especialistas rotularam os eventos como a primeira “guerra cibernética”.

Acabou sendo mais complicado. As evidências sugerem agora que o governo russo não orquestrou diretamente os ataques. Em vez disso, alimentou-os com uma retórica irada. Os próprios hackers provavelmente enfureceram cidadãos, reagindo à remoção da estátua e ao tom do Kremlin.

Esta distinção é importante. Um ataque patrocinado pelo Estado implica estratégia. Um ataque liderado por cidadãos implica caos. Ambos podem causar danos, mas a atribuição muda tudo.

Por que a experiência da Estônia é importante

Os ataques cibernéticos na Estónia não foram os maiores em termos de dados brutos transferidos. Outros ataques DDoS foram maiores. Mas estes foram únicos em seu impacto. Durante semanas, os ataques cibernéticos consumiram a atenção de todo um governo. Eles atraíram o olhar do mundo.

Antes da Estónia, as queixas políticas frequentemente se transformavam em disputas entre hackers. Hackers indianos e paquistaneses lançaram barragens de vírus e ataques DDoS devido a tensões de longa data. Hackers israelenses e palestinos desfiguraram os sites uns dos outros em retaliação retaliatória. Estas foram escaramuças.

A Estônia foi uma batalha. Os ataques provaram quão vulnerável até mesmo uma nação “conectada” poderia ser. A Estônia é considerada um dos países mais avançados digitalmente do planeta. Seu governo funciona principalmente online. Seus bancos são digitais. Os seus cidadãos esperam uma conectividade contínua. Quando as luzes se apagaram, expôs uma fraqueza crítica.

O governo não perdeu nenhuma infraestrutura básica. Nenhum banco de dados foi apagado. Nenhum segredo foi roubado. Mas o custo do combate aos ataques foi elevado. Foi demorado. Foi caro. Foi um alerta.

A questão da segurança cibernética dos EUA

A Estónia resistiu à tempestade. Houve perturbação económica. Houve atrito governamental. Mas não houve danos a longo prazo. O país se recuperou.

Isso levanta uma questão assustadora. Como os Estados Unidos se sairiam em tal situação? Os EUA são ainda mais dependentes da infraestrutura digital do que a Estónia. Seu poder

A mudança não aconteceu no vácuo. Tudo começou com uma admissão silenciosa em Abril de 2007. Um Subcomité do Congresso sobre Ameaças Emergentes, Cibersegurança, Ciência e Tecnologia descobriu que os Departamentos de Comércio e de Estado tinham sido violados em 2006. Essa revelação colocou a pressão sobre Scott Charbo, o Chefe do Gabinete de Informação do Departamento de Segurança Interna. Seu trabalho estava em jogo.

Por que? Por causa de 844 incidentes relacionados à segurança em apenas dois anos.

A lista de falhas no DHS foi embaraçosa. E-mails confidenciais viajavam por redes inseguras. Laptops pessoais foram conectados a sistemas governamentais. Software não aprovado entrou sorrateiramente. Dados confidenciais vazaram. Os vírus se espalham. Os firewalls estavam abertos. O departamento obteve nota “D” em seu boletim anual de segurança de computadores. Foi uma melhoria em relação às notas baixas de 2003 a 2006, mas ainda assim foi ruim. Todo o governo federal obteve nota C menos, acima do D mais do ano anterior.

O governo não podia mais ignorar as lacunas.

Novos papéis e jogos de guerra em grande escala

A resposta veio rapidamente. O DHS criou um novo cargo: Secretário Adjunto de Segurança Cibernética e Telecomunicações. Greg Garcia assumiu o papel. O foco mudou do controle de danos para a defesa proativa.

Não se tratava apenas de consertar firewalls quebrados. Tratava-se de simular o pior cenário possível. No início de fevereiro de 2006, o governo dos EUA juntou-se a 115 parceiros em cinco países para a Cyber ​​Storm. Este foi um enorme jogo de guerra cibernética. Participaram grandes corporações, agências governamentais e organizações de segurança privada.

O objetivo? Veja o que acontece quando uma infraestrutura crítica é atingida.

A simulação foi brutal. Ataques falsos causaram apagões em 10 estados. O software comercial foi infectado por vírus. As redes bancárias online falharam. O exercício testou mais do que apenas defesas técnicas. Analisou como as agências gerenciariam a desinformação espalhada pelos invasores. Foi um teste de resistência à resiliência nacional.

O Cyber ​​Storm II estava agendado para 2008. Enquanto isso, o trabalho real continuava no terreno. Na Base Aérea de Barksdale, na Louisiana, 25.000 militares trabalharam na guerra eletrônica. Eles se concentraram na segurança da rede e na defesa da infraestrutura de Internet do país.

Socorristas na era digital

Se um ataque cibernético massivo atingir os EUA, quem intervém primeiro?

As agências de inteligência intervêm. O Departamento de Defesa se mobiliza. Os militares se mobilizam. O mesmo acontece com a unidade em Barksdale. Mas há um grupo específico encarregado de proteger a infraestrutura da Internet e de se defender contra ataques cibernéticos: US-CERT, a Equipe de Preparação para Emergências Informáticas dos Estados Unidos.

Estabelecido em 2003, o US-CERT desempenha um papel importante na cadeia de resposta. Eles monitoram ameaças. Eles coordenam com parceiros. Eles ajudam a mitigar os danos antes que eles se espalhem.

A infraestrutura é frágil. As equipes de resposta estão prontas. Mas eles são suficientes?

Ataques cibernéticos nos Estados Unidos

Os Estados Unidos têm fraquezas estruturais na sua espinha dorsal digital. Os esforços governamentais para colmatar estas lacunas estão em curso, mas não eliminaram o risco. No entanto, o cenário apocalíptico de destruição física resultante da guerra cibernética é em grande parte um mito. Não há registro de ninguém morrendo em decorrência de um ataque cibernético. Ninguém morreu nos ataques na Estónia. Ninguém jamais foi morto porque um computador foi hackeado.

A verdadeira ameaça é financeira, não física

Grupos terroristas falam muito sobre o lançamento de ataques pela Internet. Mas a verdadeira ameaça vem de diferentes quadrantes. Gangues criminosas querem dinheiro. Eles extorquem empresas por resgate. Hackers furiosos querem fazer uma declaração. A Estónia foi um excelente exemplo deste tipo de protesto digital.

A principal preocupação não é a morte. É um dano económico. Se os hackers desligarem as fontes de alimentação, se infiltrarem num grande banco ou quebrarem o mercado de ações, as consequências financeiras serão reais. Mas mesmo assim, os danos raramente são catastróficos no sentido físico.

Por que seus ICBMs são seguros

É virtualmente impossível que os ataques cibernéticos causem vítimas físicas em grande escala. Por que? Porque segurança, sistemas de redundância, software de monitoramento e supervisão humana criam uma barreira formidável. Os sistemas militares são particularmente seguros. Uma criança de 11 anos em Pequim não está lançando ICBMs. As armas nucleares não estão conectadas à Internet. Os sistemas críticos ou classificados são isolados. Eles estão desconectados.

Os hackers podem achar fácil entrar em um sistema. Ganhar entrada é uma coisa. Causar danos reais enquanto estiver dentro é outra. Equipes bem treinadas em serviços públicos e sistemas vitais podem detectar problemas rapidamente. Os sistemas proprietários geralmente possuem substituições manuais. Os humanos ainda estão no circuito.

A realidade de bilhões de dólares do malware

Os perigos permanecem tangíveis. Worms, vírus e programas de cavalos de Tróia exploram falhas de segurança todos os dias. Estas ameaças causam anualmente perdas de milhares de milhões de dólares à indústria privada. O custo é alto, mas a consequência é financeira e não física.

Perguntas Frequentes

Os EUA já foram hackeados?

Sim. Os Estados Unidos enfrentaram muitos tipos de ataques de hackers ao longo dos anos. Dois exemplos notáveis ​​se destacam. O hack do Office of Personnel Management em 2015 roubou mais de 21 milhões de registros pessoais. O hack da Sony Pictures em 2014 expôs mais de 100 milhões de registros de clientes. Esses incidentes destacam a escala da vulnerabilidade dos dados, mesmo que não tenham resultado em danos físicos.

Recursos relacionados

Para aqueles que desejam se aprofundar na forma como esses sistemas operam, vários detalhes técnicos estão disponíveis:

  • Como funciona a infraestrutura da Internet
  • Como funcionam os servidores web
  • Como funciona o phishing
  • Como funciona o spam
  • Como funcionam os vírus de computador
  • Como funciona o roubo de identidade
  • Como funcionam os firewalls
  • Como funciona a criptografia
  • Como funciona a biometria

Leitura adicional e fontes oficiais

Se você precisar denunciar fraudes ou compreender o cenário atual de ameaças, estes recursos são essenciais:

  • Ataques de hackers – Blog de espelhamento de segurança
  • Denúncia de hackers, fraudes e outros crimes relacionados à Internet
  • Equipe de Preparação para Emergências Informáticas dos Estados Unidos

A conversa sobre segurança cibernética continua a evoluir. A OTAN considerou urgente o combate aos ataques cibernéticos. A China está a tentar destronar os EUA como principal potência cibernética. A ameaça está mudando. O perigo está aumentando. Mas o apocalipse? Isso ainda é ficção.