A indústria de smartphones está passando por uma mudança. Apesar do fascínio do consumidor por designs cada vez mais finos, as vendas de dispositivos ultrafinos como o iPhone Air da Apple e o Galaxy S25 Edge da Samsung têm sido mornas. Contudo, este aparente paradoxo não é um beco sem saída; em vez disso, está alimentando o desenvolvimento de telefones dobráveis mais atraentes.
O fascínio e as limitações dos telefones ultrafinos
Os consumidores demonstram consistentemente interesse no apelo estético de aparelhos elegantes. No entanto, as tendências de compra revelam que muitos preferem a praticidade à novidade. As principais desvantagens desses telefones ultrafinos incluem vida útil da bateria comprometida, recursos de câmera reduzidos e preços exorbitantes. De acordo com Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC, “Só porque algo parece ótimo não significa que você o deseja no final do dia”.
Essa desconexão destaca um ponto crítico: o design por si só não impulsiona as vendas. Os consumidores priorizam recursos e valor, não apenas estética. A busca pela magreza extrema muitas vezes exige compensações que superam o apelo visual para muitos compradores.
A ascensão dos telefones dobráveis
A indústria parece estar reconhecendo esta realidade. Os telefones dobráveis estão ganhando força, com vendas projetadas para crescer 10% em 2025 e substanciais 30% em 2026. Esse crescimento é impulsionado por grandes players como Samsung e Apple, que estão aproveitando os avanços em design e funcionalidade.
O desenvolvimento de telefones ultrafinos serve como um trampolim para dispositivos dobráveis mais elegantes e refinados. Ao dominar os designs delgados, os fabricantes podem integrar mais facilmente esses princípios em modelos dobráveis, criando dispositivos que não parecem volumosos ou comprometidos.
A Samsung, em particular, tem sido fundamental nesta progressão. O Galaxy Z Fold 7 da empresa e o inovador Z TriFold exemplificam essa tendência. O Z TriFold, lançado na Coreia e na Ásia, esgotou rapidamente, demonstrando a forte demanda dos consumidores por tecnologia dobrável. Outras empresas como Oppo, Honor e Huawei também estão ultrapassando os limites do design dobrável.
Impacto potencial da Apple
Todos os olhos estão agora voltados para a Apple, com expectativas generalizadas de que a empresa lance um iPhone dobrável já no próximo ano. Os analistas prevêem que um dobrável da Apple poderá catalisar a adoção generalizada da categoria. Francisco Jeronimo, da IDC, afirma que “O lançamento do primeiro iPhone dobrável da Apple marcará um ponto de viragem para o segmento de dobráveis”.
Dada a influência da Apple, mesmo uma entrada modesta no mercado de dobráveis poderia aumentar significativamente as receitas, com estimativas sugerindo até 10% da receita total de smartphones.
O futuro do design móvel
O foco em designs ultrafinos e dobráveis ressalta uma tendência mais ampla: a inovação como ferramenta de marketing. Embora alguns possam considerar estes dispositivos como produtos de nicho, eles servem um propósito crucial na demonstração de liderança tecnológica.
Empresas como a Samsung estão lançando estrategicamente esses dispositivos de última geração para manter sua vantagem competitiva. O lançamento do Galaxy Z TriFold, programado antes do suposto dobrável da Apple, não é por acaso. É um sinal claro de que a concorrência no nível premium é acirrada e que os fabricantes estão dispostos a ultrapassar limites para se manterem à frente.
A indústria está indo além das melhorias incrementais e em direção a formatos mais radicais. Embora a acessibilidade continue a ser uma barreira para muitos consumidores, a funcionalidade de ecrã duplo dos dobráveis oferece uma proposta de valor convincente.
Em última análise, a busca por telefones mais finos e dobráveis não é apenas uma questão de estética; trata-se de mostrar inovação, manter a liderança de mercado e moldar o futuro da tecnologia móvel.
