O CDC acaba de divulgar dados que deixam as autoridades de saúde pública nervosas. Mais de 2.300 casos de sarampo foram confirmados nos Estados Unidos somente neste ano. É o pior ano para a doença desde 1992.
Achávamos que tínhamos isso resolvido.
A América declarou o sarampo erradicado em 2000. Ficamos arrogantes. Baixamos a guarda. E agora, o vírus está de volta com força total, ultrapassando todos os casos dos 24 anos anteriores combinados.
Isto não é apenas um pontinho. É um padrão. E aponta para um problema específico e evitável: as pessoas não estão a ser vacinadas.
A lacuna de vacinação
O sarampo não é um resfriado comum. É um dos vírus mais contagiosos do planeta. Se você entrar em uma sala com uma pessoa infectada, há 90% de chance de contraí-la, mesmo que ela tenha saído da sala há horas. O vírus flutua no ar. Ele fica por aí como um cheiro ruim que realmente deixa você doente.
Para interromper a transmissão, você precisa de imunidade coletiva. Especificamente, é necessário que 95% de uma comunidade esteja imune.
Essa é uma barreira alta. E estamos aquém disso.
De acordo com números recentes do CDC, apenas 28% dos condados dos EUA vacinam os seus alunos do jardim de infância a uma taxa suficientemente elevada para impedir a propagação. Em muitas áreas, esse número é muito menor. Isto deixa grandes grupos de pessoas suscetíveis à espera de uma faísca.
Quando essa faísca acontece, ela se espalha rapidamente. Os casos deste ano são em grande parte atribuídos a surtos na Carolina do Sul, Utah, Pensilvânia e Virgínia. Alguns esfriaram, mas outros estão fervendo. A questão subjacente não é a geografia. É a hesitação da vacina.
Por que a confiança importa menos agora
Você poderia culpar a política. Você pode culpar a desinformação. Ambos são fatores reais. Mas há uma razão mais irônica pela qual estamos vendo números recordes de casos.
Fizemos um trabalho muito bom.
Na década de 1950 e início dos anos 60, o sarampo era uma parte normal da infância. Se você nasceu na América, provavelmente pegou isso. Aproximadamente 48,0 No final da década de 1990, mais de 90% dos americanos foram vacinados. A doença quase desapareceu da vida diária.
Esse sucesso criou um ponto cego.
Pessoas nascidas nos últimos 30 a 40 anos raramente tiveram sarampo. Eles não sabem sobre as erupções cutâneas. Eles não sabem sobre pneumonia. Eles não se lembram das internações. Para eles, o vírus é um conceito abstrato, não uma ameaça física.
“Fizemos um trabalho muito bom.”
Um médico disse isso sem rodeios a Vox. Como a doença é tão rara, a urgência de vacinar diminuiu. A confiança nas instituições também diminuiu, alimentada pela polarização política e pelos rumores nas redes sociais. Quando você combina complacência com desinformação, você obtém um barril de pólvora.
O custo da complacência
O sarampo costumava ser um rito de passagem. Agora é uma emergência de saúde pública. As consequências são graves. Antes da era da vacina, milhões eram infectados anualmente. Milhares foram hospitalizados. Centenas morreram.
Hoje, o vírus atravessa facilmente fronteiras e comunidades. Não se importa com o seu partido político. Não importa se você acredita na ciência ou em teorias da conspiração. Ele só quer um hospedeiro.
Já resolvemos esse problema uma vez. Usamos vacinas, campanhas de saúde pública e dinheiro. Mobilizamos todos, desde estrelas pop até personagens de desenhos animados, para imunizar as crianças. Podemos fazer isso de novo. Mas é necessário reconhecer que a ameaça não desapareceu – apenas está adormecida.
Acordar requer trabalho. Requer confiança. E exige admitir que não podemos ignorar um vírus só porque não o vemos há uma década.
Os dados são claros. Os casos estão aumentando. A janela para agir está se fechando. O que acontece a seguir depende se tratamos isso como um problema ou como uma inconveniência.
























